
POR
Dra. SUELY KEIKO
Endocrinopediatra
Como você se sentiria se tivesse que picar o dedo de seu filho de três a seis vezes por dia, além de aplicar injeção de insulina quatro vezes por dia? Pois essa é a realidade que atinge mais de 51 mil crianças e adolescentes no Brasil, portadoras do diabetes tipo 1, uma doença auto-imune causada pela falta de insulina.
Infelizmente, não existe uma forma de prevenir o diabetes tipo 1 e, portanto, não há culpados. É muito importante lembrar disso, pois algumas pessoas acreditam erroneamente que a criança ficou diabética porque comeu muito doce. Para descobrir se a criança ou adolescente tem diabetes, o diagnóstico dos sintomas é essencial. Alguns são caracterizados pelo excesso de sede e de urina e pela perda de peso. Ao perceber essas ocorrências, a orientação é consultar um pediatra ou endocrinopediatra.
Já o tratamento para o diabetes envolve quatro pilares: alimentação saudável, atividade física, monitorização da glicose e aplicação de insulina. Nos últimos anos, tivemos um avanço enorme na terapia do diabetes, com o surgimento de sensores que ficam aderidos à pele e substituem as “picadas” no dedo. As canetas aplicadoras também evoluíram, assim como os sistemas de infusão contínua (ou bombas de insulina), que proporcionam um fluxo constante de insulina por meio de um cateter que fica conectado ao corpo e é trocado a cada três dias.
Os modelos mais modernos podem ser usados associados a um sensor de glicose que avisa quando a glicemia está muito baixa e desliga a bomba, quando necessário. Assim, se evitam as temidas hipoglicemias, que tanto preocupam as famílias e pacientes e podem causar desmaios e convulsões.
Para facilitar a aceitação da doença e a inserção da criança e do adolescente no meio social, é fundamental promover a integração dos pacientes diabéticos por meio de encontros, associações e acampamentos. Em Joinville, a Associação dos Diabéticos de Joinville (Adijo) realiza encontros mensais com diabéticos e seus familiares e a participação é livre. Esses encontros estão suspensos no momento, mas serão retomados tão logo acabem as restrições por causa da pandemia.